Novas e velhas

outubro 16th, 2011


(Fonte: http://euterpe.blog.br - Objetividade e subjetividade na Mona Lisa)

E quem disse que decidir quais músicas vão entrar em um cd novo é tarefa fácil ? Não é, de maneira nenhuma. O processo de construção da canção se assemelha ao processo de pintura de um quadro. O artista parte de um tema, faz um rascunho, estuda as cores a serem aplicadas, testa os efeitos das sombras, e começa...

O problema é que, a partir do momento em que o processo é iniciado, existe uma dificuldade crescente na dicotomia referente ao ganho de identidade por parte da obra e à perda de controle da criatura por parte do artista. Obviamente, não exagero aqui me lembrando do médico e do monstro, mas sim, da dança que deveria, pelo menos em tese, existir entre criatura e criador, de maneira que sua subjetividade pudesse emergir de sua obra, e o processo artístico seu, particular forma de terapia, pudesse então se expandir e se transformar em um elo inevitável com outros que também compartilham de sua visão de mundo.

Aliás, transmitir uma visão de mundo particular, ou melhor, representar a realidade a partir da sua ótica, seria a tarefa fundamental do artista. Acredito eu que, além desta responsabilidade ter aumentado enormemente ao longo dos anos, existe uma possibilidade de interação entre o artista e o outro nunca antes sonhada pela humanidade, que vivia cerceada de interação em grau maior por conta do atraso no desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, além de problemas de ordem ética, religiosa, estética, política, e outros obstáculos.

Em primeiro lugar, a ampliação da responsabilidade do artista aumenta na medida em que mais e mais pessoas tem a possibilidade de acessar a sua produção, seja ao vivo, seja por meio de mídias diversas. Em segundo lugar, esse acesso permite a interação. Exemplo recente que considero ótimo é o filme "Some Kind of Monster" , que a banda Metallica lançou, expondo alguns de seus mais graves problemas internos - tudo isso em nome da arte - e do marketing...

Enfim, comecei esse texto falando do problema da criação estética na música....e acabei falando um monte de coisas relacionadas - acho que volto ao tema amanhã. Até.

André Mols

TNY

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